Os autómatos trafulhas de Robert-Houdin |
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Jean Eugène Robert-Houdin, |
lâmpada eléctrica (de fibra vegetal), como também, o plastrão eléctrico para os esgrimistas, as portas automáticas, o contador kilométrico e aparelhos permitindo aos oftalmologistas estudar o interior dos olhos. |
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O mistério atractivo que exerciam na multidão os autómatos de Vaucanson, os irmãos Jaquet-Droz, os irmãos Maillardet e muitos outros artesões reputados devia, mais cedo ou mais tarde, incitar os ilusionistas a juntar a apresentação dos autómatos aos seus espectáculos. Mesmo se Robert Houdin foi o criador de verdadeiros autómatos, funcionando através de combinações relojeiras ou mecânicas sábias, lançara-se na criação de autómatos com efeitos especiais, funcionando por meio de fios, movidos pelas mãos, invisíveis ao público, quando não se tratava de um ser vivo, escondido algures num manequim ou por baixo de uma mesa. |
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No fim do século XVIII,
alguns mostradores de autómatos adaptaram o sistema dos pedais.
Na sua obra póstuma "Magia e física divertidas",
Robert-Houdin faz uma descrição destes sistemas do movimento.
O pedal é um conjunto de três fios de aço; dois deles
estão fixos e formam, o que em termos de mecânica se designa
por jaula; o terceiro é móbil e pode-se levantar por cima
dos outros, quando se lhe puxa o cordel. |
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Aqui estão algumas descrições dos principais autómatos de Robert Houdin: |
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O escritor - desenhador: Robert Houdin conta
nos seus "Memoriais", que tinha concebido o projecto de um
autómato, no qual tinha fundado grandes esperanças. Tratava-se
de um |
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Para mais, dezoito meses não são fisicamente suficientes para um homem, que trabalha sozinho, construir um andróide desses (voltar à página sobre a criação do andróide nos "Memoriais"). Deve-se lembrar, nesta ocasião, que os Jaquet-Droz levaram seis anos para elaborar o deles. Por fim, estranha coincidência, os desenhos feitos pelo autómato
de Robert-Houdin, eram praticamente os mesmos (o Cupido, uma cabeça
de monarca coroada, um cão) que executava o desenhador dos Jaquet-Droz
e a segunda réplica adquirida por Henri Maillardet. |
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Le Garde-française: Robert-Houdin faz a seguinte
descrição deste autómato a pedais: "Levava-se para
uma mesa, um pequeno autómato, vestindo um uniforme da Guarda
françesa. Ele trazia consigo um mosquete e estava pronto para
receber ordens para atirar. |
Pedi emprestado a várias senhoras da assembleia, quatro anéis e uma luva branca. Fiz deles um embrulho e coloquei-o num pequeno fusil que havia carregado e engatado. - Tome, dizia eu ao meu Garde-Française, devolvo-lhe a sua arma, contendo uma luva e quatro anéis; mostre agora o seu endereço, enviando todos estes objectos para este ponto de mira. Mostrava-lhe uma coluna de cristal que se encontrava numa outra mesa. O autómato apontara uma arma, pora o dedo no gatilho, apontara para o sinal que lhe indiquei e disparara. Os objectos contidos no fusil foram projectados para a coluna, e a luva, inchada, come se fosse usada por uma mão invisível, erguera-se no cimo do cristal, mostrando em cada um dos dedos os anéis que me tinham sido confiados." |
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O pasteleiro do Palais Royal:"Olhe para este encantador pequeno autómato! Quando o seu mestre o chama, ele vem até à soleira da porta e, educado como um fornecedor e hábil como um pasteleiro, sauda e espera pelas encomendas da sua clientela. Brioches quentes, acabados de sair do forno, bolos de todas as espécies, geleias, licores, gelados, etc, chegam logo, como se fossem encomendados pelos espectadores e, depois de satisfazer todos os pedidos, ajuda o seu mestre nas suas voltas de escamoteação". |
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Este autómato, tão célebre quanto misterioso, foi accionado por um jovem rapaz, vestido com um fato, sentado na parte de trás da loja. Por cima da porta e das janelas, encontra-se um espaço livre, um género de celeiro, onde são colocados os bolos e bebidas que a criança dispõe no tabuleiro, apresentado pelo pasteleiro. Isto foi possível, devido a uma trápola instalada no tecto da loja, quando as portas estavam fechadas.
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A laranjeira fantástica: Robert-Houdin pedira emprestado um lenço a uma senhora. Moldou-o em forma de uma bola, que punha ao lado de um ovo, de um limão e de uma laranja. Estes quatro objectos desaparecem uns dentro dos outros, e, quando estavam todos reunidos na laranja, esta serviu para fazer um licor fantástico. Para isso, a laranja era espremida pelas as mãos de Robert-Houdin, onde se tornava mais pequena, e transformava-se em pó, passando para um frasco que continha álcool etílico. |
Alguém trouxera a laranjeira
sem as flores e os frutos. Um pouco de licor fantástico inflamável
era depositado num vaso, que se colocava no arbusto, depois de lhe pegar
fogo. Via-se os ramos carregarem-se de flores, que em seguida eram substituídas
por frutos, distribuídos aos espectadores. Salvo uma única
laranja, deixada na árvore, que se abria em quatro partes, dentro
da qual se apercebia o lenço que fora emprestado. Duas borboletas
dando às asas pegaram-no pelas pontas e desdobravam-no, à
medida que levantavam voo. |
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Antonio Diavolo, o acrobata: Nos seus "Memoriais",
Robert-Houdin escreveu: "Trazia o meu jovem artista de madeira, entre
os braços, como se o fizesse com um ser humano. Coloquei-o na
vara de um trapézio, onde lhe fazia algumas perguntas, às
quais ele respondia com sinais de cabeça. "Você não
tem medo de cair? |
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Então, às primeiras tocadelas de orquestra, ele saudava graciosamente os espectadores, virando-se para todas as partes da sala. Depois, suspendendo-se com os braços, seguindo o ritmo da música, balançava-se com extrêmo vigor. Em seguida, chegava um momento de repouso, durante o qual, ele fumava
o seu cachimbo, e executando depois malabarismos no trapézio,
tais como se levantar com a força dos braços e se segurar
com a cabeça virada para baixo, ao mesmo tempo que executava
com as pernas umas evoluções telegráficas. |
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Esta figura funciona por meio de puxadores e pedais. Uma série de oito fios, partem da corrediça da esquerda, passando pelas roldanas fixadas no tecto da cena, e as outras roldanas, também colocadas no cimo, que parecem ser as cordas de um trapézio, mas que, na realidade, são tubos ocos, para chegar até às duas extremidades da vara do trapézio, igualmente ocas. Dois jogos de roldanas situados nestas duas extremidades, enviam estes fios até ao centro da vara, onde accionam um jogo de seis pequenos pedais, muito curtos, funcionando à altura da vara, |
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onde se colocam as mãos do autómato. Todos os puxadores acabam na corrediça, uns por meio de anéis,
podendo ser fixados com ganchos, que os imobilizam em certos momentos,
os outros são fixados por bobinas, que se puxam com a mão.
Dois outros fios grossos, partem de um grande puxador, situado à
esquerda da vara do trapézio, para a frente e para trás,
e produzem o deslocamento do autómato, que faz também
o balanço progressivo do trapézio, após o deslocamento
do seu centro de gravidade. |
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...Tal como a suspenção das mãos no trapézio, quando o pô-mos em cima, para que quando o deslargue, caia nas mãos do apresentador. Tudo isto é obtido através destes pedais e alavancas: amplificação do movimento no interior do corpo do autómato, com movimentos diferentes. Só o movimento do balanço do trapézio é produzido pelo rolamento da vara, que leva ao deslocamento do pequeno personagem. Um dispositivo dos mais engenhosos, mas muito complicado, impede os fios de se torcerem e bloquearem quando o trapézio roda. |
É, por meio de um subterfúgio
bem concebido, que o Diavolo pode largar as mãos, quando está
suspenso nos jarretes. Dois tubos achatados são instalados nos
dois braços, por onde passam os caules das alavancas, assim, esses
tubos não largam o trapézio. Trata-se somente de dois braços
falsos (abertos de um lado) que se deixam cair. Os tubos continuam seguros
no corpo. Estes, recobertos de veludo vermelho, parecido com o do casaco
do autómato, são invisíveis. |
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A lição de canto: Robert-Houdin é o autor de vários autómatos, tendo por melodia, uma lição de canto prodigiosa, tocada por uma rapariga a um pássaro. O Museu Paul Dupuis de Toulouse dispõe de uma lição de canto que apresentamos aqui à esquerda. Como em todas as lições de canto, uma rapariga faz
escutar uma melodia de serineta a um pássaro, situado num poleiro.
O volátil repete, em seguida, a melodia, agitando-se e virando-se
para todos os lados. |